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"- Você tá linda.
- Não começa.
- Por que não gosta quando eu te elogio?
- Não é que eu não goste, sei lá, eu fico sem graça.
- E vermelha. – disse ele apertando as minhas bochechas mesmo sabendo que eu odeio. – E linda.
- Você é impossível sabia?
- E tá ainda mais linda com a minha camisa, coisa de filme romântico você não acha?
- Corrigindo… coisa de filme clichê, chove do nada, a mocinha não tão mocinha vai pra casa do mocinho não tão mocinho pra se secar, ele oferece uma camisa seca pra ela não se resfriar e blá blá blá, mas estamos contrariando um pouco a história, porque a mocinha aqui já está gripadíssima.
- Merece cuidados redobrados então…
- Defina cuidados redobrados.
- Acho que a mocinha e o mocinho deveriam ficar bem quentinhos debaixo das cobertas. – ele disse com o sorriso mais lerdo do mundo.
- Isso envolve algum tipo de abuso?
Ele riu tanto que me contagiou. Puxou a coberta da cama, se deitou e estendeu o braço pra mim.
- Ta com medo de mim?
- Claro que não.
- Então vem, não vou tentar nada, juro.
Fui para o lado dele, me deitei e cobri nós dois. Ele me puxou pra mais perto, escondi meu rosto no seu pescoço, ele tinha um cheiro bom.
- Impressão minha ou você ta cheirando meu pescoço?
- Não pode? – disse sorrindo.
- Claro que pode, hoje é sábado, dia de banho, esqueceu? To cheiroso.
- Você parece comigo. – disse rindo.
- Por quê? Você também só banha sábado?
- Não, você é idiota.
- É… obrigado?
Nós dois ficamos em silencio por alguns minutos e voltei a esconder meu rosto em seu pescoço.
- Olha, eu sei que prometi não tentar nada, mas fica meio difícil com você cheirando meu pescoço sem parar.
- Talvez eu queira que você tente algo.
- Talvez eu queira tentar algo desde a primeira vez em que te vi.
Então seus lábios encontraram os meus, a pose de durona desapareceu. Era um beijo calmo, envolvente, delicado e gentil, como se ele estivesse com medo de me quebrar ou algo assim.
- Talvez eu goste mesmo de você.
- Talvez eu não deixe você ir embora hoje.
- Talvez meu pai venha aqui com a polícia e te obrigue a fazer isso.
Rimos juntos e houve um longo silencio como se nós dois estivéssemos pensando como seria dali por diante.
- Deixa eu cuidar de você?
Ele me abraçou e beijou minha testa. Eu sabia quais poderiam ser as conseqüências da minha resposta e onde ela poderia me levar, que estaria sujeita a sofrer outra vez e me decepcionar novamente mas não valia a pena deixar de viver por isso, estaria sujeita a isso a vida inteira, todos estamos, então o beijei nos lábios e com um sorriso todo bobo respondi.
- Deixo."
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"Um garoto de 18 anos foi concorrer em uma vaga para um emprego junto com outros homens bem mais velhos. Ficou com medo, medo de perder, o que ele esperava a tempos. Quando recebeu a folha, o tema era “você têm experiência?” Logo pensou, e escreveu: ““Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar. Já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto. Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone.Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi Sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, Já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas… Já subi em árvore pra roubar fruta. Já caí da escada de bunda.. Já fiz juras eternas.Já escrevi no muro da escola. Já chorei sentado no chão do banheiro, Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado. Já me joguei na piscina sem vontade de voltar. Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios. Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso. Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua. Já gritei de felicidade. Já roubei rosas num enorme jardim.Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um ‘para sempre’ pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol. Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:’Qual sua experiência?’. Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência…experiência…Será que ser ‘plantador de sorrisos’ é uma boa experiência? Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? ‘Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?’.—–“ . E foi assim, que mesmo com todo esse medo, foi o unico que conseguiu a vaga, relatando exatamente tudo que importava, mostrando que experiência, é só vida."
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"Eu gostei de você como gostava de raspar a bacia em que minha mãe batia a massa do bolo. Foi, sim. E também gostei de você como gostava de andar no meio-fio sem cair nenhuma vez. Gostei de você como gostava de pegar uma maçã na fruteira, subir no meu pé-de-nada (nunca brotava frutinha) e comer tranquila. Gostei de você como gostava da sensação de acabar um livro e sentir como se tivesse voltando de uma longa e incrível viagem. Gostei de você como gostava da tapioca da minha vó, de ser mimada quando gripava, de brincar de amarelinha e de fingir que era cantora. Gostei de você como gostava de Chaves, e de desenho animado. Mentira, mentira, tudo mentira…
Ainda gosto."
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"Só quero que você saiba que pode. Pode me ligar às 4h28 da madrugada ou às 7h12 da manhã pra me falar dos seus problemas, pode reclamar que a minha blusa tá curta demais ou grande demais, pode falar mal do meu cabelo que tá sempre rebelde, pode chorar no meu ombro mesmo que nem saiba por quê. Você pode, sempre. Pode bater na minha porta 3h da tarde só porque você sabe que a essa hora eu tô dormindo, pode interromper meu almoço, meu sorriso. Você pode ficar duas horas seguidas falando no meu ouvido o quanto eu sou chata e infantil e irritante e o quanto você não sabe por que não enjoou de mim ainda. Pode morder meu braço, beijar minha testa, bater na minha bunda. Pode fazer chantagem emocional comigo, ameaçar me largar só porque eu não quero fazer um capricho seu. Pode me deixar desesperada por causa disso, mesmo sabendo que você não vai me largar. Você pode me deixar uma ou duas noites sem dormir por medo de te perder, me fazer perder a cabeça por ciúmes, pode me fazer pensar duas vezes antes de brigar com você. Pode desligar o telefone sem dizer que me ama por birra, e depois que eu estiver chorando mandar uma mensagem bonitinha. Você pode me enlouquecer sem ao menos perceber e, ainda assim, eu vou continuar te amando cada dia mais."